Junte um filme do Stevie Segal sobre vingança com “Como se fosse a Primeira Vez” com Adam Sandler e Drew Barrymore e acrescente um roteiro e uma edição fantástica. Agora você pode ter uma leve ideia de como é o suspense e drama Amnésia “Memento”, de Christopher Nolan, EUA, 2000.

Um casal vivia tranquilamente até que dois homens entram na casa deles, os assaltam e estupram a mulher. O marido, tentando defender a esposa, apanha bastante e bate a cabeça. Com a pancada, ele perde a memória recente e a habilidade de fazer novas lembranças, vivendo para sempre no dia seguinte à tragédia familiar que passou. E claro, como todo bom macho, o que ele quer é vingança. Ele não é fofo como a Dory, de Procurando Nemo, ele quer o sangue daqueles que machucaram sua mulher. Agendas e blocos de anotações podem ser alterados, então Leonard Shelby (Guy Pearce, “Guerra ao Terror”, 2008 e “O Discurso do Rei”, 2010) inventou um jeito bem diferente de ter certeza que nunca alterariam suas anotações: ele tatua em seu corpo todas as pistas que levarão para o assassino de sua esposa.

Munido dessas anotações de fontes “inegáveis” ele parte para sua vingança. Quem o ajuda são Teddy (Joe Pantoliano, “Matrix” de 1999 e “Os Goonies” de 1985) e Natalie (Carrie-Anne Moss, “Matrix” de 1999 e “Chocolate” de 2000), embora o motivo de cada um deles em ajudar Lenny seja de alguma forma discutível ele confia nos dois graças a sua Polaroide, que ele usa tirando fotos o tempo todo, do carro que ele dirige a onde está hospedado, já que sua memória desaparece em torno de 15 minutos. Tudo o que ele sabe é que John G. matou e estuprou sua mulher (John G. nos EUA é algo como João da Silva, um pouco difícil de rastrear, correto?). A história é baseada em um conto do irmão do diretor, Jonathan Nolan, e chama-se Memento Mori. Memento é uma palavra em latim que significa “Lembre-se” já Memento Mori, traduzido literalmente fica “Lembre-se da morte”. Memento também é uma palavra em português e significa um caderno ou bloco para anotações que devemos lembrar depois.

Embora a história seja simples, o grande diferencial do filme é a forma como é contado. O roteiro é excelente e os personagens não possuem uma personalidade muito forte, o que faz com que fiquem bem mais misteriosos, já que vemos tudo do ponto de vista do personagem principal. Contado de trás para frente, o filme nos passa a sensação de estarmos perdidos no meio da história, assim como Lenny. Muitos dizem que o roteiro não é linear, o que não é verdade, ele é linear, mas está apenas na ordem inversa. Há duas correntes de narrativa, uma colorida, de trás para frente e outra em preto e branco, essa na ordem cronológica correta. A história contada do ponto de vista de alguém que tenha memória ficaria primeiro a parte preto e branco até quando as duas partes se juntam e desse ponto do fim para o começo. Confuso? Um pouco, mas é exatamente esse o charme do filme.

Há um filme alemão chamado “Winter Sleepers” que tratou do tema da amnésia anterógrada primeiro, porém, Amnésia conseguiu representar melhor essa condição especial da mente humana, realmente entendemos um pouco o conceito do que é a realidade senão pedaços que juntamos a nosso bel prazer na memória. Amnésia é um filme que te faz prestar atenção em cada segundo da trama, se você não consegue prestar muito atenção em filmes ou dorme antes mesmo dele começar, não assista à Amnésia. Se você acredita que filme bom é aquele com explosões, perseguições em alta velocidade e strippers também não veja esse filme. Amnésia é um filme cult, daqueles que fazem você entender o significado da expressão “sétima arte” usada para definir o cinema.

Quem escreve? Deborah


25 anos, jornalista, não sei o que eu fazia para me divertir antes da internet. Heavy user de midias sociais. Amo/sou gifs do tumblr e o meme do Homem-Aranha.

comentário(s)

  1. Muka disse:

    Muito bom esse filme e me lembrou desse video meio antigo do cara que tá no community!
    http://www.youtube.com/watch?v=xJyelcnINH0

    Boa escolha de filme!

  2. GhostAlone disse:

    Vlw pela dica, vou assistir qnd tiver tempo ^^ adorei o que vc disse sobre as duas corrents narrativas, uma em preto e branco na ordem cronológica correta, e outra de trás para frente colorida, isso de me lembrou muito o trailer do jogo Dead Island [ http://www.youtube.com/watch?v=0tvr_f2f_fQ&feature=related ], achei esse trailer perfeito justamente pelo efeito [e pela musica rsrs] do fim e do começo da historia contados um dpois do outro, até chegar o climax do video, muito bom

    Filmes cult sao os melhores o/

    ;**

  3. Darkmaru disse:

    Valeu, Deborah. Graças à você fiquei com vontade de ver o filme XD

  4. Jean disse:

    Esse filme é FODA!!!!
    Só acho que a atuação do Guy Pearce poderia ter sido um pouco melhor… não que seja ruim… longe disso…

    Prova que o Nolan já era um diretor com um potêncial #FODA!!!
    No geral, todo filme dele, (pelo menos pra MIM(uga uga)) deixa quem assiste muito preso a trama.

  5. Sempre bons as postagens de vocês, e estão sempre de parabéns por este blog! O meu, quando crescer, certamente quer ser igual a este /.

    Gostei deste filme! Já tem alguns anos que o vi, e na época adorei a maneira meio “paranóica” pela qual a estória é contada. Não tem nenhuma relação, mas este tópico me lembrou o The Jacket, que também gostei muito!

    Agora, me atrevo a fazer uma crítica à redação, coisa que espero, sinceramente, não ser mal interpretada. É que eu vejo isso o tempo todo por ai e é meio incômodo. Pode parecer apenas frescura minha (apesar, realmente, de eu ser um poço disso) mas é que altera o sentido que geralmente se quer dar. Pois bem, o caso é que isso: “matou e estuprou” é necrofilia! Bom, na verdade, em termos práticos não há uma ‘persona’ em um cadáver de maneira que o segundo termo até perde o sentido… O sentido correto está quando se inverte, que é quando se tem realmente esta atrocidade abominável, e que no filme é utilizado para mover a vingança do personagem.

    Mas, uma ótima postagem! Tudo de bom para vocês, e parabéns Déborah!

    • Deborah disse:

      Olá!

      Já que vc se atreveu, peço que leia novamente. ^^ A frase correta é:

      “Um casal vivia tranquilamente até que dois homens entram na casa deles, os assaltam e estupram a mulher”

      Eu não disse que eles a mataram. E eu não posso contar mais coisas sobre esse momento porque ele é uma das chaves da trama toda. ^^

      E obrigada, Líryan! Faço o Matinê sempre com muito carinho pra vocês XD

      • Líryan disse:

        Sim, eu li a frase correta na primeira parte do texto, na segunda parte é que aparece como citei. E sim, não pode contar mais, senão vai-se a graça de ver o filme! :c)

        Todo o blog e as postagens são muito bem feitas e interessantes Déborah, vocês estão de parabéns.

  6. Daniel Gomes disse:

    Eu assisti a esse filme a vários anos atrás e só posso dizer que é uma ótima indicação. O trabalho do diretor torna a história bastante crível e a atuação dos atores é bem conviciente.

    O jeito de como a história é levada é que deixa o “assistidor” preso na cadeira.

  7. Bru disse:

    Jurei que o post era sobre o jogo Amnesia lol
    Vi esse filme quando era pirralha, não entendi nada e até hoje tenho preconceitos quanto a ele…algum dia vou tentar ver de novo. :P

  8. Cintia disse:

    Este filme é complicadinho, do jeito que voce explicou aqui, deu até vontade de assistir de novo.
    ótimo post :) parabéns :)

  9. Garotas Geeks disse:

    [...] profundos e bem construídos. Já que ela ainda não foi citada, Trinity (Carrie-Anne Moss, “Amnésia” e “Chocolate” ambos de 2000) é um exemplo de como os personagens não são apenas [...]

  10. Vitor Zaupa disse:

    Memento Mori… Mori é meu outro sobrenome… Meu nome é Vitor Zaupa Mori… haha

  11. Nolan mostrou para a Warner que era grande diretor com este filme, depois tudo mundo já sabe…

  12. […] profundos e bem construídos. Já que ela ainda não foi citada, Trinity (Carrie-Anne Moss, “Amnésia” e “Chocolate” ambos de 2000) é um exemplo de como os personagens não são apenas […]

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