Semana passada, o Matinê foi sobre um musical e teve pouquíssima aceitação por vocês (confesso que fiquei triste u.u). Sendo assim, essa semana, escolhi um dos filmes mais violentos e baseado em uma HQ para ver se eu consigo agradar a vocês (humpf)!! Sem mais, com vocês, do romance gráfico de Frank Miller, Sin City – A Cidade do Pecado “Sin City” de Robert Rodriguez e Frank Miller (com participação da direção de Quentin Tarantino), 2005, EUA:

Situada no noroeste dos EUA, Basin City, ou simplesmente Sin City, teve sua época de glória quando a família Roark estava financiando a vida e o “entretenimento” dos mineradores que foram até a cidade durante a corrida do ouro. Hoje, decadente, Sin City é um reduto de violência e prostituição. O mesmo não aconteceu com a família Roark. Muito pelo contrário, atualmente seus herdeiros são muito poderosos no país, são eles: Cardeal Patrick Henry Roark que dizem que comanda até o Vaticano e Senador Roark o senador mais influente e poderoso (além de corrupto) dos EUA. Não há um único personagem principal nesse filme; em Sin City o personagem principal é a própria cidade, seus habitantes apenas ilustram o quão doente, decadente e violenta ela é.

O filme conta apenas 4 (sendo uma delas apenas uma introdução) das 12 histórias já publicadas no romance gráfico de Frank Miller que é responsável também pelas HQ’s “O Cavaleiro das Trevas” e “300″. A primeira delas, “O Cliente tem Sempre Razão” foi também a primeira cena a ser gravada do filme todo. Foi ela quem convenceu Frank Miller a co-dirigir o longa (há anos Robert Rodriguez tentava comprar os direitos autorais do romance, mas sem sucesso). A segunda (pelo menos no meu dvd) é “O Assassino Amarelo” e narra a história do talvez único policial honesto de Sin City, o detetive John Hartigan (Bruce Willis, “O Sexto Sentido” de 1999 e “Pulp Fiction” de 1994) em sua batalha contra o sistema corrupto ao tentar salvar uma garotinha das mãos do filho (pedófilo e serial killer) do Senador Roark. O conto é interrompido para “A Cidade do Pecado” aparecer e mostrar um pouco mais do lugar e das pessoas que moram em Sin City.

Basin City possui um bairro conhecido como “a cidade velha” reduto das prostitutas que mantém o cumprimento das leis com suas próprias mãos e armas. Quem comanda a cidade velha são as gêmeas Goldie e Wendy. Ao prever o fim da trégua entre a cidade velha e a máfia e os policiais, Goldie tenta se proteger com o homem mais, digamos, ogro. Eis que ela encontra Marv (Mickey Rourke, “Homem de Ferro 2″ de 2010 e “Era uma vez no México” de 2003) e proporciona a ele a primeira noite com uma mulher de sua vida. Porém ela é assassinada enquanto dorme ao lado de Marv que é acusado da morte da prostituta. Por fim, encontramos “A Grande Matança” que mostra mais sobre as prostitutas e sua vida na cidade velha, tudo porque um policial dito herói é morto dentro do bairro e agora a trégua irá ceder e os cafetões, drogas e abusos poderão voltar para o cotidiano dessas mulheres se elas não conseguirem sumir com o corpo do policial Jackie Boy (Benício del Toro, “Snatch – Porcos e Diamantes” de 2000 e “Os Suspeitos” de 1994).

O Cliente tem Sempre Razão

É através dela que já podemos pressentir tudo que o filme trará. Atmosfera e diálogos noir, atores conhecidos, cenários preto e branco completamente digitalizados, apenas com detalhes importantes das cenas com cor. O Cara (Josh Hartnett, “Xeque-Mate” de 2006 e “Dália Negra” de 2006) é só mais um assassino de aluguel. Porém ele conquista as mulheres antes de executar seus serviços. Ele não apenas mata, ele conversa com suas vítimas antes, tenta oferecer a elas um pouco de esperança antes de tirar-lhes a vida. E é exatamente fazendo tudo isso que ele se mostra muito cruel. A Cliente (Marley Shelton, “Planeta Terror” de 2007 e “Grindhouse” de 2007) é apenas mais um cheque para o Cara. Mas ela tem desejos, esperanças e anseia por encarar aquilo que ela vinha fugindo há muito tempo. Infelizmente, nunca saberemos o que é.

O Assassino Amarelo

Graças a um entupimento das artérias coronárias que causa um abastecimento de oxigênio insuficiente, mais conhecido como angina, o detetive John Hartigan teve que se aposentar mais cedo. Porém, em seu último dia de trabalho, ele tenta impedir que o filho do senador Roark, Junior (Nick Stahl, “O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas” de 2003 e “Além da Linha Vermelha” de 1998) espanque, estupre e mate mais uma menina. Traindo seu parceiro, Hartigan salva Nancy Callahan (Mackenzie Vega, “X-men – O Confronto Final” de 2006 e “Jogos Mortais” de 2004) das mãos deste assassino e, além de amputar a mão direita de Junior, Hartigan arranca sua orelha e “suas armas” à balas. O parceiro de Hartigan, sabendo como a história irá se desenrolar, atira em Hartigan várias vezes e, claro, Hartigan é acusado de ser o serial killer (o que o filho do senador estaria fazendo em uma cena de crime? nada, obviamente) e é condenado à prisão perpétua. Passam-se oito anos, até que Hartigan se desespera porque não recebeu a carta semanal de Nancy (Jessica Alba, “O Quarteto Fantástico” de 2005 e “Idas e Vindas do Amor” de 2010) e faz de tudo para sair da cadeia.

Livre, ele acaba levando Junior diretamente para Nancy, uma dançarina em Sin City de 19 anos, e terá que protegê-la novamente desse assassino, que agora está amarelo, graças aos efeitos colaterais que os tratamentos para “poder ter filhos novamente” causou à Junior.

A Cidade do Pecado

Talvez a história com mais emoção, A Cidade do Pecado conta a triste e sanguinária história de Marv. Em um momento no Kandie’s, Dwight faz uma reflexão sobre quem é Marv “A maioria das pessoas pensa que o Marv é louco. Ele só teve o azar de ter nascido no século errado. Ele adoraria voltar para a casa depois de ter usado seu machado na cara de alguém em um campo de batalha ou em uma arena, duelando com outros gladiadores como ele. Atirariam mulheres como Nancy para ele”. Goldie (Jaime King, “Pearl Harbor” de 2001 e “The Spirit” de 2008) foi a única mulher que o procurou. Ele diz que nem mesmo pagando elas aceitavam um troglodita como Marv. Um batalhão de policiais foi chamado para capturar Marv e é assim que ele desconfia que a morte de sua amada é algo um pouco maior do que o simples assassinato de uma prostituta. Marv começa uma investigação por conta própria que acaba tendo enormes consequências. Só saibam de uma coisa: ele não se diverte matando as pessoas, mas com tudo que acontece antes disso, sim. O mais violento, nojento, sanguinário episódio do filme. Marv é um anti-herói que consegue sua simpatia (afinal, ele tortura e mata por conta de seu amor) ao mesmo tempo que provoca medo e boas risadas.

A Grande Matança

Jackie Boy e seus comparsas estão novamente batendo à porta de Shellie (Brittany Murphy, “As Patricinhas de Beverly Hills” de 1995 e “Garota, Interrompida” de 1999) , uma garçonete do Kadie’s (onde Nancy trabalha e Marv é freguês constante). Mas dessa vez ela não está sozinha. Quem está com ela é Dwight McCarthy (Clive Owen, “A Identidade Bourne” de 2002 e “Rei Arthur” 2004), um fotógrafo e assassino que reconstruiu seu rosto com cirurgias plásticas para não ser identificado e que deve muito para as prostitutas da Cidade Velha. Apenas sendo cavalheiro, Dwight protege Shellie, do seu jeito, claro… ameaçando Jackie Boy com uma navalha e o afogando na privada, Dwight mostra a Jackie Boy que seria prudente parar de espancar e procurar Shellie. Apenas por segurança, Dwight resolve seguir Jackie e seus amigos e ver para onde eles vão, pois estão bêbados e afim de briga. Eis que o grupo chega à Cidade Velha, as garotas se protegem de Jackie Boy e o matam. Dwight descobre que Jackie é um policial e as prostitutas se vêem em uma situação muito delicada: a trégua entre os policiais pode acabar (os policias não entram na Cidade Velha, quem protege as prostitutas são elas mesmas, os policiais só podem entrar na Cidade Velha quando querem uma “diversão”) e a antiga vida (tortura, cafetões, máfia, drogas, escravidão sexual) pode voltar. Assim, uma verdadeira guerra é travada para defender os direitos das mulheres da Cidade Velha.

Sin City possui um elenco maravilhoso e é completamente fiel à história de Frank Miller, afinal, ele co-dirigiu o filme. O uso do alto contraste preto e branco é uma técnica há muito buscada no cinema e Robert Rodriguez conseguiu executar com maestria. Para poder fazer o filme, ele desistiu da Academia Americana de Cinema porque ela não aceita um trabalho em co-autoria entre diretores já conhecidos. O filme é independente, já que nenhuma grande produtora se interessou em uma história tão violenta e com um público tão segmentado como Sin City. O uso das cores para realçar um detalhe (como sangue, a cor do Assassino Amarelo que causa nojo só de ver) é um toque que acrescenta o tom ideal às cenas. O filme foi todo gravado em estúdio usando um Chroma-Key, e isso, na opinião de Robert Rodriguez, ajudou a focar melhor os atores para as falas e para as cenas de uma forma geral. A cena em que Dwight conversa com o já morto Jackie Boy foi gravada por Quentin Tarantino e se você quiser ver como é de fato uma gravação de uma cena, veja abaixo a narração que Robert Rodriguez fez de um pedaço dessa cena (não tem legenda, ok?):

As falas e as cenas relembram muito os filmes noirs dos anos 40 e 50. Robert Rodriguez optou por deixar a câmera mais estática, para que tivéssemos a impressão de ver os quadrinhos ganhando vida. E é exatamente isso que acontece. As atuações impressionam, como a de Elijah Wood, que não precisou dizer uma linha para demonstrar a cruel frieza de seu personagem canibal. Clive Owen usa um sotaque perfeito, nem se percebe que ele é na verdade britânico. Mickey Rourke foi resgatado do limbo cinematográfico onde estava e foi, nas palavras de Quentin Tarantino, “como se Miller tivesse pensado nele para dar vida à Marv”. Não há maniqueísmos em Sin City: todos têm segredos, os personagens principais são anti-heróis. Nos filmes noir normalmente temos o policial bonzinho e a jovem mocinha indefesa; em Sin City temos os matadores de aluguel e as prostitutas com sub-metralhadoras. Há nudez, mutilações, torturas no mundo decadente de Frank Miller. E também muito humor para aqueles que riem de pessoas que são flechadas no peito, claro. Sin City não é um filme para se assistir como passatempo. Ele é denso, violento e com altas doses de humor negro. Para mim, simplesmente perfeito.

Quem escreve? Deborah


25 anos, jornalista, não sei o que eu fazia para me divertir antes da internet. Heavy user de midias sociais. Amo/sou gifs do tumblr e o meme do Homem-Aranha.

comentário(s)

  1. Luan disse:

    a melhor parte desse filme é com certeza “A Grande Matança”

  2. Rodrigo W. Mendes disse:

    Sin City é simplesmente perfeito pra mim também.

  3. klol-chan disse:

    eu gostei do musical uahsuahsuashaushauha

    • Deborah disse:

      Muito obrigada por ter gostado de Os Produtores!!! Eu assisto esse filme, pelo menos umas duas vezes por mês, sei TODAS as músicas (e as maiores das falas) Não falo alemão, mas já sei umas partes de Haben Sie Gehort das Deutsche Band… Fiquei meio triste com a falta de repercussão do filme aqui no garotas geeks… u.u

      Thanks XD

  4. Emílio Baraçal disse:

    Até hoje não sei definir meus sentimentos por esse filme. Eu gosto muito dele, mas ao mesmo tempo, vejo que a ultrafidelidade – que é pecado para alguns, embora não fosse a intenção aqui fazer um trocadilho – atrapalhou muito, não consigo desgostar dele mesmo assim. Creio que seus inúmeros pontos positivos sobrepujam esse detalhe.

    Acho que o único problema dele é que disseram ao Miller que ele era um diretor de cinema. Resultado: The Spirit.

    E minha personagem preferida nas HQs é a Miho. No filme, Marv.

  5. cedrikrocha disse:

    Robert Rodriguez não erra no ultraviolence, jamais! Esse é o meu favorito do Rodriguez e também nesse filme as cenas que o tarantino dirigiu ficaram fodasticas.

    Pontuação cedrik 10/10

    Deborah, nunca me desaponta nos seus gostos em.

    Feliz aniversario novamente =P

  6. Angelo disse:

    eu sinceramente só vi esse filme uma vez e realmente não tinha notado grande parte das coisas que você citou em relação aos detalhes de atuação e montagem hu4

    thx e btw 11º ;) .

  7. Vargolino disse:

    curto mto esse filme, peguei emprestado de um amigo (eh, eu sei, tem como baixar xD) e assisti umas 4-5 vezes em um fds =P

  8. Garotas Geeks disse:

    [...] ela tem uma carinha de dó e não convence que ela te cortaria vivo pela metade como a Miho de Sin City, por exemplo. Como a grande maioria dos diretores atuais, Zack Snyder tem sua estética baseada em [...]

  9. Garotas Geeks disse:

    [...] com cuidado, tinha sido pensado em usar a computação gráfica para fazer o filme todo (algo como Sin City) mas J.K.Rowling insistiu que houvessem estúdios e locações. Até a Universidade e a Igreja de [...]

  10. Garotas Geeks disse:

    [...] ano. SW utilizou muitos efeitos visuais, foi basicamente inteiro filmado em chroma key (assim como Sin City) enquanto Matrix utiliza os efeitos especiais em alguns (muitos, para ser sincera) momentos. Mas [...]

  11. david disse:

    S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L
    TANTO O FLIME QUANTO OS DIRETORES QUANTO A RSENHA

  12. […] ano. SW utilizou muitos efeitos visuais, foi basicamente inteiro filmado em chroma key (assim como Sin City) enquanto Matrix utiliza os efeitos especiais em alguns (muitos, para ser sincera) momentos. Mas […]

  13. […] é escalado para fazer companhia a ela. Temos também o boxeador Butch Coolidge (Bruce Willis, “Sin City” de 2005 e “O Sexto Sentido” de 1999) que deseja se aposentar com honra mas o chefão, o […]

  14. […] ela tem uma carinha de dó e não convence que ela te cortaria vivo pela metade como a Miho de Sin City, por exemplo. Como a grande maioria dos diretores atuais, Zack Snyder tem sua estética baseada em […]

  15. […] com cuidado, tinha sido pensado em usar a computação gráfica para fazer o filme todo (algo como Sin City) mas J.K.Rowling insistiu que houvessem estúdios e locações. Até a Universidade e a Igreja de […]

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