Semana passada, o Matinê foi sucesso absoluto! Aparentemente, escrever sobre o que vocês querem ler aumentam as visualizações do post (CE JURA?). Mas não é só falando de filmes que vocês gostam e já estão cansados de assistir que o Matinê é feito. O meu objetivo com este post semanal é, além de reviver clássicos e comentar blockbusters nerds, mostrar filmes muito bons mas pouco conhecidos. E um desses é o dessa semana, com vocês, A Partida “Okuribito” de Yojiro Takita, 2008, Japão:

Em meio a uma grande névoa, dois homens entram em uma casa. Todos que estão lá estão calados e alguns choram. Eis que o plano da câmera se amplia e podemos ver um corpo. Os homens se sentam perto do cadáver e, educadamente (com um pano por cima) retiram a roupa do corpo, o lavam e o vestem novamente. Isso tudo pode parecer completamente estranho (SICK!! Eles mexem EM DEFUNTOOO!), mas no Japão é um ritual comum. O morto precisa ser cuidado antes para que possa ir para o além da forma correta. E não importa a religião que ele (ou ela ou ele/a) seguia, todo o japonês recebe esse ritual postmortem de maquiar e vestir os corpos, diante da própria família em luto. Depois dessa cena, podemos ver quem é o homem mais jovem. Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um violoncelista que perde o emprego na Orquestra de Tóquio e, depois de vender o violoncelo que ele tanto desejou comprar, decide voltar junto com sua esposa para a cidade onde cresceu. E é procurando emprego nessa cidade que ele conhece a NK Agent, uma empresa que “ajuda a partir”. Acreditando ser uma agência de viagens, Daigo vai até ela e descobre que se trata de um emprego para nokanshi. O nokanshi é o responsável por cuidar do ritual postmortem e, embora seja um emprego necessário, há um enorme preconceito, pois são os nokanshis que passam a mão em gente morta (ecati). Mas sem outra saída e com um salário muito tentador – meio milhão de ienes, algo como 6 mil e 500 dólares por mês -, Daigo aceita o trabalho.

E filme se baseia nesse preconceito paradoxal no Japão. Como as pessoas podem odiar e maltratar um nokanshi sendo que todos irão precisar de um? A esposa de Daigo é contra e os seus antigos amigos (como a senhora da casa de banhos) apenas o aceitam, mas sem concordar muito com a decisão de Daigo de ter aceitado o trabalho. Há belíssimas cenas, nas quais Daigo está tocando numa bela paisagem, além da trilha sonora ser completamente instrumental, fato que acrescenta mais poesia ainda ao filme.

A história é um drama com comédia bem leve. Há muitas reflexões sobre a vida após a morte e as preparações para a única certeza da vida, que é o fato que todos nós iremos morrer um dia. Além de ter um final que me faz chorar todas as vezes que assisto. O diretor, Yojiro Takita começou sua carreira fazendo pornôs leves (a.k.a pink films) , mas em A Partida ele consegue ser completamente delicado, usar uma linguagem visual bela e tranquila. É um filme que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e mais de 10 prêmios da Academia Japonesa de Cinema. Possui um tema japonês, mas é contado de forma universal, exatamente para que os estrangeiros possam apreciar o filme. Muitos críticos reclamaram do filme, dizendo que ele é simples demais e não conta necessariamente o que se passa no Japão, seria um filme “tipo exportação” exclusivo para ganhar prêmios mundo afora. Porém, sou contrária à todas essas críticas. Acredito que esse filme é uma belíssima forma de conhecer o cinema asiático, que possui cenas mais longas, diálogos com mais pausas e mais extensos, utiliza de forma poética as cores na composição das imagens. Eu sou fã de dramas asiáticos há alguns anos, mas acredito que A Partida é uma ótima forma de se dar uma chance ao cinema do outro lado do mundo.

Quem escreve? Deborah


25 anos, jornalista, não sei o que eu fazia para me divertir antes da internet. Heavy user de midias sociais. Amo/sou gifs do tumblr e o meme do Homem-Aranha.

comentário(s)

  1. Nanah disse:

    Atoaron esses filmes japoneses, em sua maioria, são todos muito delicados e emocionantes. (:
    Vou tentar assistir (lê-se: procurar no torrent -q)e depois eu comento direitinho ;*

  2. Kedraroth disse:

    Eu acho esse filme simples e ao mesmo tempo lindo, adoro a OST, ótimo post =D

  3. Hemerson disse:

    Um dos melhores filmes que eu já vi. Tem que ser assistido legendado. Nem comentarei a parte em que eles comem aquela galinha mal cozida. uahuahauahau

  4. Dilene disse:

    Ótimo filme.
    Faz tempo que assistir, vou colocar ele na pilha de próximos filmes p/ assistir/reassistir.

  5. Hiroko hime disse:

    Okuribito é totemo kirei!!! Pra quem não é familiarizado com filmes japoneses é uma ótima introdução porque tem um humor leve e as cenas que precisam de seriedade não tem todo o drama japonês (pq nihonjin adoraaaaaaa um drama, benzadeus).

    ps. tem um cara no trabalho q é a cara do daigo XD até as caretas são idênticas!

Comente este post